José Henrique Lamensdorf - translation - tradução


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VALOR AGREGADO EM TRADUÇÃO

PORTUGUÊS > TRADUÇÃO

Meu objetivo é agregar valor ao traduzir, de modo que realmente valha a pena para todos os envolvidos. Isso exige ética e profissionalismo, duas coisas das quais não abro mão.

Para agregar valor, o melhor caminho é descobrir o que representa valor para o cliente. Então faço duas perguntas ao cliente, se já não tiverem sido respondidas no contato inicial:
1. O que você
tem?
2. O que você
quer ou precisa?

Minha missão será levar o cliente da resposta (1) até tão próximo da resposta (2) quanto for economicamente viável eu fazê-lo. Se não valer a pena eu chegar até a resposta (2), posso indicar quem faça a parte final do trajeto e sair do circuito, posso subcontratar esses serviços, ou mesmo deixar a cargo do cliente cuidar disso sozinho. Meus serviços começam e terminam onde isto for economicamente viáveis, a critério do cliente.


ESTUDO DE CASO

É difícil explicar a idéia de valor agregado, pois é algo que pode ser feito de maneira diferente em cada caso. Então vou descrever um caso real para ilustrar.

A situação era geograficamente complexa. O cliente final era uma empresa na Costa Oeste da América do Norte. Contratou uma agência no Brasil Central para traduzir um vídeo do inglês para o espanhol, para o lançamento de um produto em outro país da América Latina.

A tarefa original que me propuseram parecia simples: dados um vídeo e inglês e sua tradução para o espanhol, eu deveria legendá-lo.

Recebi um arquivo WMV de 320x230 pixels. Não me pareceu muito bom para legendagem. Como eu não sabia, perguntei o que pretendiam fazer com o vídeo. Parecia que pretendiam colocar num web site. O formato FLV do Macromedia Flash, usado no YouTube, poderia resultar num arquivo menor, mais rápido para se baixar.

Fui informado que iriam usar numa apresentação de lançamento de produto num certo país onde a língua é o espanhol. Naquela altura, entendi "usar" como exibir para uma platéia.

O vídeo parecia ser uma série de animações muito bem produzidas em 3D, montadas numa apresentação em PowerPoint. Verifiquei a qualidade, era boa o suficiente para se usar tela cheia. Então sugeri ampliar, e gostaram da idéia.

Restava a questão da exibição. Como assegurar que o computador que fossem usar teria o software e os codecs adequados? O risco de não funcionar era grande, e o prazo era curto o bastante para exigir certeza de compatibilidade na primeira tentativa.

Apesar da infinidade de formatos de vídeo digital e codecs, a mídia universal atualmente é o DVD, exceção feita aos códigos regionais, que eu não pretendia usar mesmo. Sugeri que a apresentação fosse feita em DVD. O cliente gostou e aprovou. Gostou tanto que decidiu pedir 150 cópias do DVD para distribuir aos convidados previstos nesse lançamento, juntamente com o material promocional.

O vídeo tinha uma bela trilha musical, porém nada mais no áudio. Todas as informações estavam em texto, como legendas, usando letras brancas com contorno preto, o padrão na América do Norte.

Minhas legendas seguem o padrão brasileiro, letras amarelas com sombra preta. Algumas "telas" estavam atulhadas de texto. Se eu sobrepusesse minhas legendas amarelas às brancas existentes, ambas com sombras pretas, o efeito final pareceria um omelete queimado!

Se pudesse obter a apresentação original em PowerPoint, poderia substituir o texto original pela tradução, mas não havia tempo nem para perguntar a respeito. Então minha solução foi a dublagem, com um narrador falante nativo de espanhol. Mixei a narração à música original e obtive o vídeo acabado.

Mas eles ainda precisavam de 150 cópias, e o tempo estava se esgotando. Haviam planejado que um funcionário do escritório na América do Norte as faria, com um computador comum. Calculei que ele passaria 5 dias fazendo isso, se trabalhasse 8 horas por dia. Consultei um cliente meu do ramo, e em menos de duas horas os 150 DVDs estavam prontos, com rótulos coloridos impressos, a um custo bem acessível.

Verifiquei com o cliente, e concluímos que ele teria material de embalagem adequado no país onde seria feito o lançamento. Não valeria a pena sobrecarregar a remessa via courier com embalagens individuais. Então despachei apenas os discos, em uma embalagem de "pino"; chegariam em tempo de o pessoal local embalar todos, um a um.


Este caso ilustra o que eu entendo por "agregar valor". O cliente inicialmente queria "legendar um vídeo", e teria uma trabalheira danada para fazer a sua apresentação e distribuir cópias aos convidados. Certamente não conseguiria ter tudo pronto dentro do prazo. Agreguei valor de modo que ele tivesse o vídeo pronto para a apresentação e os DVDs para distribuição aos participantes. E o custo total deve ter sido inferior ao que ele teria gasto fazendo por conta própria (e provavelmente perdendo o prazo).


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