José Henrique Lamensdorf - translation - tradução


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Perguntas e Respostas sobre Editoração Eletrônica (DTP)

PORTUGUÊS > EDITORAÇÃO

ALGUMAS PERGUNTAS FREQUENTES
SOBRE EDITORAÇÃO ELETRÔNICA - DTP



O que é editoração eletrônica?

Editoração eletrônica, também conhecida como DTP (do inglês DeskTop Publishing) é o trabalho de montar uma publicação inteira no computador. O objetivo pode ser imprimi-la numa gráfica convencional, numa gráfica POD (do inglês Print On Demand - impressão por encomenda na quantidade que for desejada), ou mesmo criar um arquivo PDF compatível com o Adobe Acrobat, seja para visualização / leitura na tela ou impressão pelo interessado em sua própria impressora.

A editoração eletrônica substituiu o estúdio de produção gráfica, também conhecido como paste-up, onde se criavam artes-finais para publicações reunindo todos os seus elementos, que eram colados em pranchas de papelão. Estas depois eram fotografadas para se gerar fotolitos, que eram usados para produzir chapas ou clichês de impressão. Atualmente, os computadores geram fotolitos, ou até mesmo chapas de impressão diretamente.

Por que é preciso editoração eletrônica? O meu processador de texto, por exemplo, o Microsoft Word, não pode fazer isso?

É uma questão de paradigmas diferentes. O processador de texto (por exemplo, o MS Word) faz tudo o que um dia se imaginou que uma máquina de escrever faria. Mas continua sendo um processador de texto. Se aceita figuras, faz tabelas, gráficos etc., estes são recursos que um dia se sonhou em incluir numa máquina de escrever. Já os programas de DTP nem sempre têm tantos recursos para a redação do texto em si, porém são voltados para a diagramação de textos, imagens e outros elementos gráficos.

Respondendo à pergunta, se a publicação for composta essencialmente (ou exclusivamente) de texto, não haverá grande problema em fazer o original para impressão num processador de texto. Será a diferença entre livros outrora compostos em tipografia (ou fotocompositora) e os datilografados. Contudo, mesmo texto, já que os programas de DTP se voltam para a apresentação gráfica, é tratado de maneira visualmente diferente.

Veja este exemplo:


Para que um tradutor precisaria contratar um serviço de DTP?


O tradutor não precisa. Na melhor das hipóteses, o seu cliente é que irá precisar.

Imagine esta situação... O cliente, não muito informado, tem um catálogo, manual de instruções, livro, jornal da empresa, ou qualquer outra publicação que precise ter em outro idioma. Lógico, ele irá procurar um tradutor. Imagine o desalento do cliente (eu avisei que ele era desinformado) ao receber a tradução... em texto! Ele terá de contratar um "DTPista" para fazer a sua publicação.

Já um cliente mais bem informado pode pedir ao tradutor a publicação diagramada num processador de texto. Até certo ponto é perfeitamente possível. Afinal de contas, nos tempos de outros paradigmas, muitos livros - especialmente de informática - foram publicados datilografados em máquina de escrever IBM de esfera ou a partir de impressoras matriciais. Um processador de texto atual com uma impressora moderna pode oferecer um resultado infinitamente superior.

Porém às vezes o trabalho de diagramação é complexo demais, e há casos de tradutores que passam até dez vezes mais tempo diagramando do que traduzindo a mesma publicação. Em outros há textos embutidos dentro de ilustrações que exigem trabalho delicado de edição gráfica, algo um pouco fora do seu métier.


Tudo bem, mas por que o tradutor deveria fazer isso e não o cliente final?

É uma boa dúvida, uma questão de opção. Para o tradutor que estiver com seu tempo lotado, com uma carga de trabalho de tradução no limite (ou até acima) de sua capacidade produtiva, pode ser melhor deixar isso para o cliente.

Para os demais, pode ser uma oportunidade para conquistar clientes com preço, qualidade e rapidez.


Como o tradutor pode oferecer um preço melhor?

Para o cliente, interessa o custo total: quanto ele irá gastar, tendo a publicação no idioma X, para tê-la no idioma Y?

Depois de ter pago pela tradução - indispensável - ele terá de pagar pela produção gráfica. Se contratar um estúdio de DTP, é provável que o operador não seja bilíngüe. Neste caso, a solução é "marcar" os blocos de texto para que ele saiba onde e como (fonte, tamanho, negrito, itálico etc.) colocar cada trecho. Sem isso, haveria um fluxo interminável de vai-e-volta entre DTPista e tradutor passando pelo cliente, um processo de tentativa-e-erro. Alguém precisa fazer essa marcação, de preferência o tradutor, mas também pode ser o cliente.

Ao ser contratado para administrar o projeto inteiro, o tradutor, mesmo sendo remunerado por isso (espero!), acaba economizando para o cliente: faço DTP sem marcação para traduções entre quaisquer idiomas dentre inglês, italiano, francês, espanhol e português.


Esta é uma página do original que foi traduzido para indicar a "marcação" para o DTPista. Assim ele saberá onde procurar a tradução.

E este é o formato em que a tradução deverá ser entregue para o DTPista, para ele achar os textos pelos números, sem precisar entender o que está escrito.


Como o tradutor pode oferecer melhor qualidade?


Se estiver no controle do projeto, o tradutor sempre será o primeiro a ver o trabalho de DTP, e terá a oportunidade de perceber eventuais erros, falhas ou omissões que tenham escapado às revisões anteriores. O risco de o cliente não mandar o material para o tradutor dar uma última olhada antes de imprimir é grande. Afinal, se houver algo para consertar, será preciso passar a publicação (geralmente um arquivo grande e pesado) para o tradutor, e depois para o DTPista, o que consome tempo. A urgência às vezes elimina este processo, e a publicação sai do jeito que der.


Como o tradutor pode oferecer mais rapidez?

Se o cliente ficar entre o tradutor e o DTPista, não haverá contato direto. Em outras palavras, o tradutor deverá entregar o seu trabalho finalizado e revisado, que o cliente repassará ao DTPista. Quando é o tradutor quem contrata o DTPista, ganha-se tempo: posso trabalhar nas ilustrações enquanto o tradutor trabalha no texto. Se a publicação for grande, posso até receber o texto em partes e ir adiantando o trabalho.


Qual é o seu diferencial? Em outras palavras, que vantagens você oferece ao trabalhar como subcontratado do tradutor?

Em primeiro lugar, também sou tradutor, mas só traduzo entre inglês e português. Contudo sei o suficiente de italiano, francês e espanhol para fazer DTP de traduções em quaisquer dois desses cinco idiomas. Mas não me atrevo a traduzir de/para os três últimos.

O resultado disso é que o tradutor pode me fornecer texto puro (arquivo TXT). Não precisa se preocupar com negritos e itálicos, e nem com o que é título, subtítulo ou texto dentro de ilustrações ou tabelas. Basta me entregar texto corrido e a publicação original em papel ou arquivo PDF.

Se o arquivo original não contiver texto em formato eletrônico, posso fazer OCR (reconhecimento óptico de caracteres) para o tradutor usar suas CAT tools. O tradutor pode assumir o projeto completo, o que é um serviço superior para o cliente.

Finalmente, se a mesma publicação tiver de ser traduzida para mais de um idioma, o tradutor pode fazê-lo ou contratar um (ou mais) colega(s) para fazer(em) os idiomas com os quais ele não trabalhe, e assumir a gerência do projeto inteiro. O custo de editoração repetitiva em idiomas diferentes será reduzido.


Como é o seu esquema de trabalho com tradutores?

O primeiro passo é sempre o orçamento. Desenvolvi uma planilha de orçamento genérica, que me permite ter rapidamente uma idéia do custo de um trabalho de DTP.

Feito isso, para oferecer o trabalho completo ao cliente, o tradutor deverá somar o valor assim obtido ao seu preço de tradução. Sugiro que ainda acrescente uma porcentagem sobre o valor do DTP pelo seu trabalho de gerenciamento do projeto. No mínimo ele passará algum tempo recebendo e enviando arquivos, ou terá despesas de envio de material físico..

Aprovado o orçamento, iniciam-se os trabalhos. O primeiro passo é obter os materiais originais separados: texto, ilustrações, lay-out e fontes. Neste momento, precisamos combinar uma série de detalhes. Quanto ao texto, depende do formato em que vier o original. Se vier em algum arquivo eletrônico de texto editável, o tradutor poderá trabalhar com ele diretamente. Se vier em arquivo PDF "gráfico", será preciso fazer OCR. Se vier em papel, será preciso escanear e fazer OCR. Precisamos combinar quem irá fazer o quê.

Quanto às ilustrações, se vierem em papel ou embutidas num arquivo PDF, será preciso capturá-las com scanner ou eletronicamente. Se houver ilustrações separadas (em arquivos JPG, BMP, TIF, GIF etc.) fornecidas pelo cliente, elas serão aproveitadas, baixando o custo.

Mas se as figuras tiverem texto incorporado, terei de limpá-las e reconstituir o fundo, para depois aplicar o texto traduzido. Tabelas e gráficos irão exigir estudo caso a caso.

O lay-out é aproveitado do original, seja em papel ou PDF, sendo adaptado se houver conversão de formato, por exemplo de formato "carta" para A4 ou vice-versa.

Quanto às fontes, se todas as fontes usadas estiverem dentre as "populares" (Arial, Times, etc.), não haverá problema. Contudo, se forem usadas fontes "especiais", há duas alternativas: a) O cliente fornecerá as fontes especiais em arquivos TTF (TrueType); ou b) o cliente aceitará fontes parecidas ou equivalentes.

Eu trabalho com Adobe PageMaker. Algumas publicações podem vir diretamente neste formato. Outras podem vir nos formatos específicos de outros programas de DTP. Posso providenciar para que alguém que trabalhe com esses programas extraia o conteúdo (texto e ilustrações) para recriar a publicação em PageMaker. Caso o cliente queira a publicação feita no programa original, diferente do PageMaker, recomendo procurar um especialista nesse programa.

Apenas para esclarecer: se o resultado final desejado for um arquivo PDF ou material impresso, não fará diferença alguma o programa utilizado.


E como você fornece o resultado final?

Depende do que o cliente quer ou precisa. Costumo fornecer um CD-ROM ou DVD-ROM com todos os arquivos utilizados no processo, e mais dois arquivos PDF: um a 72 dpi (pequeno, bom para download ou envio por e-mail e impressão individual pelo interessado); e outro a 300 dpi (grande, bom para impressão profissional, seja eletrônica ou em gráfica convencional). Se o cliente quiser o material impresso, posso providenciar.


Por que você usa o PageMaker?

São mais de 20 anos de experiência com versões sucessivas dele, e o fato de ainda não ter encontrado uma publicação que ele não pudesse fazer. Quando comecei a trabalhar com DTP, o PageMaker era o pioneiro do gênero. Face à sua evolução ao longo de todos esses anos, foi possível continuar com ele. Além do PageMaker, para edição de arquivos gráficos utilizo ULead PhotoImpact, e Adobe Acrobat. Conforme a necessidade, utilizo alguns outros programas também.


E o que tem a dizer sobre a sua experiência neste tipo de trabalho?

Traduzo entre inglês e português desde 1973, na maioria dos casos também fazendo a editoração das publicações. Quando comecei, com manuais técnicos, fazia os desenhos e gráficos a nanquim, e estes, junto com as fotos e o texto datilografado eram colados com Pritt em folhas de papel para se tirar cópias Xerox. Depois trabalhei vários anos com estúdios de arte, onde mandavam fazer fotocomposição fora, e montavam tudo em paste-up.

Meu começo em editoração eletrônica foi com o programa MultiScribe, num computador Apple II. Naquela época só havia impressoras matriciais, mas o resultado surpreendia para os padrões existentes.

Em 1988, migrei para o PageMaker 3, que rodava no Microsoft Windows 2.01, ainda sem ícones, num PC-XT de 8 MHz. Não havia tantos recursos para sofisticação gráfica, mas a impressora a laser já oferecia - ao menos no texto - uma qualidade comparável à atual. Depois, foi apenas uma longa sucessão de upgrades em hardware e software. Devo estar perto de umas 700 publicações com o PageMaker na minha história.

Tendo vivenciado diretamente o problema de o cliente triangular uma publicação entre tradutor e DTPista, resolvi oferecer este serviço aos tradutores, aproveitando o lado não utilizado do primeiro triângulo:


Tenho outras perguntas que você não responde aqui. O que fazer?


Mande suas perguntas por e-mail, clicando no botão correspondente à esquerda. Terei o máximo prazer em responder. Mas não mande material (arquivos) ainda. No contato inicial posso lhe dar algumas orientações.

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