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GUIA DE LOCALIZAÇÃO
DE VÍDEO EMPRESARIAL
Traduzo vídeo para dublagem desde 1987, e para legendagem desde 2004. Em 2006 comecei a legendar DVDs. Minha especialidade é vídeos de treinamento, técnicos e institucionais. Já traduzi filmes de longa metragem para a TV, mas foram poucos.
Criei este guia para oferecer a clientes, amigos, e interessados em geral uma série de informações sobre a "versão brasileira" do que resolvi chamar de vídeo empresarial, em contraposição ao vídeo comercial, que seria o que se vê no cinema, na TV e em videolocadoras.
Se a sua empresa não é do ramo de vídeo, cinema ou TV, porém utiliza vídeo corporativo, esta página foi feita para você. Se sua empresa for uma produtora de vídeo, ela ficará na área cinzenta, pois dependerá do projeto. E se você for do ramo de vídeo, cinema ou TV, leia apenas se tiver curiosidade, pois o seu esquema de trabalho deve ser bem diferente.
A (SUA) SITUAÇÃO
Estas informações lhe interessam se você ou sua empresa receberam um vídeo em língua estrangeira que desejam usar para apresentações a clientes, funcionários ou outras pessoas.
Esses vídeos costumam ser institucionais, promocionais, técnicos, ou de treinamento. Logicamente, sua primeira preocupação será como fazer para tê-los em português. E a sua segunda preocupação será quanto isso irá custar. Se a ordem for inversa, continue lendo, pois não fará muita diferença.
Vou tentar tratar das duas coisas ao mesmo tempo. Pelo que deve ter visto na TV, as opções parecem se limitar a legendagem e dublagem. Veremos aspectos iniciais destas duas, e mais o voice-over. Para completar, veremos o processo híbrido de dublagem e legendagem.
Antes de começar, convém destacar que a tradução, o passo inicial, para cada uma destas modalidades é um trabalho diferente. Em outras palavras, se você resolver mudar de dublagem para legendagem ou vice-versa no meio do caminho, terá gastos desnecessários. Converter a tradução já feita de uma coisa para outra normalmente exige refazer tudo desde o início.
AS SUAS OPÇÕES
LEGENDAGEM
É o caminho mais econômico. Não é preciso descrever, há exemplos todos os dias na TV.
Os principais problemas da legendagem são os seguintes:
DUBLAGEM
Também não preciso descrever. O processo custa aproximadamente o triplo da legendagem. O custo somente da tradução, se for comigo, será o mesmo que para dublagem.
Os principais problemas da dublagem são os seguintes:
VOICE-OVER
É um processo semelhante à dublagem, porém mais econômico. Pode ser visto em muitos canais de documentários e em noticiários.
Consiste na dublagem por até 3 pessoas, um narrador, um "homem" e uma "mulher". O narrador faz o serviço exatamente como se fosse uma dublagem. Os outros personagens começam a falar com o som original, e imediatamente em seguida este é abaixado totalmente, e a tradução é falada, sem nenhum sincronismo, por um dos dois artistas (um homem para a voz de todos os homens, uma mulher para a voz de todas as mulheres), que terminam um pouco antes do final de cada fala, quando se restaura o volume do som original.
É comparativamente mais econômico que a dublagem, especialmente se o vídeo tiver uma longa série de depoimentos por pessoas diferentes.
Os principais problemas do voice-over são:
O motivo da sua existência é que permite, a um custo mais acessível, um vídeo com o efeito da dublagem: não é preciso ler as legendas, restando tempo para assistir ao filme, ver as imagens, e ouvir a trilha sonora.
HÍBRIDO
Neste processo, conforme o caso, o narrador, o apresentador, ou os atores principais são dublados, e participações ocasionais, como depoimentos de muitas pessoas diferentes, são legendadas. É preciso usar de um certo bom-senso ao definir o que será dublado ou legendado num vídeo, pois isso poderá implicar em mudanças frequentes (ou não) do espectador da leitura para a escuta.
Dublagem, legendagem, voice-over ou híbrido é a primeira decisão que você terá de tomar, e não adianta se enganar, em vídeo empresarial é apenas uma questão de custo/benefício. Examine bem o propósito do filme, qual o retorno esperado dele, e qual será a sua vida útil.
Convém lembrar que se for usar um processo mais barato inicialmente para depois, em função dos resultados, fazer um mais caro, não poderá aproveitar nada de um para o outro. Em outras palavras, se resolver legendar um filme e, se ele for um sucesso, quiser dublá-lo depois, irá arcar primeiro com o custo integral da legendagem, e depois com o custo inteiro da dublagem, incluindo duas traduções diferentes.
Pegue alguns orçamentos e decida. Tenha em mente que o processo inteiro é rigorosamente linear, ou seja, qualquer economia que resulte em perda de qualidade numa etapa se refletirá em todas as seguintes. Se o resultado final for inaceitável, será preciso refazer integralmente todas as etapas desde (e inclusive) aquela onde surgiu a má qualidade.
O QUE VOCÊ TEM?
O passo seguinte é ver, em termos de mídia, o que você tem, e o que quer obter. Hoje em dia, tudo pode ser convertido para vídeo digital, o DVD sendo o meio mais prático e mais barato para se lidar. Mas seu original ainda pode estar em fita ou filme. Neste caso, será preciso fazer a conversão.
Eu converto de praticamente qualquer formato de vídeo digital, e até de fitas VHS, neste caso somente se o sistema de cores for NTSC (EUA). Para os demais casos, utilizo os serviços de um estúdio especializado. Nesta segunda hipótese haverá um acréscimo no custo, portanto é preciso saber antecipadamente para obter um orçamento.
A TRADUÇÃO
Uma vez definido o processo que será usado no vídeo, o passo seguinte é a tradução.
Em primeiro lugar, acredite: não é necessária uma transcrição (no idioma original) para se traduzir o vídeo. Tradutores capacitados trabalham diretamente a partir do som original.
Há tradutores que cobram mais caro quando não é fornecido o script (e outros que dão desconto quando o script é fornecido), mas não é a minha prática. Reconheço que o script pode ajudar na rapidez da identificação das vozes quando se trata de dublagem, porém não faz tanta diferença.
Falando francamente, em algumas centenas de vídeos de treinamento e uma ou duas dúzias de filmes de longa-metragem que traduzi, um em cada dez veio com o script. E destes que vieram com o script, em apenas um dentre cada cinco esse script correspondia fielmente à edição final. Tive casos em que me forneceram uma transcrição pós-produção - feita no país de origem do filme - em que havia erros grosseiros de interpretação.
Meu preço de tradução é médio, calculado multiplicando um valor fixo (o mesmo para dublagem, legendagem etc.) pela duração total do filme. Se, por qualquer motivo, precisar da transcrição do script original, lembre-se de que isso lhe custará outro tanto.
OS PROCESSOS
DUBLAGEM, VOICE-OVER e HÍBRIDO
Nestes casos, meu trabalho pode terminar apenas na tradução, caso você já tenha um estúdio de dublagem de sua preferência. Entrego o script de dublagem em arquivo MS Word em Arial 14 bold.
Se quiser, posso recomendar estúdios que fazem dublagem ou voice-over.
No caso de vídeos híbridos, posso entregar o script da mesma forma, indicando com o "personagem" LEGENDAS as partes que devam ser legendadas. Há estúdios de dublagem que também fazem legendagem, e poderá ser mais econômico e mais rápido fazer todo este serviço de uma vez.
Quando houver dublagem, o som original será substituído, e junto com ele a música e os efeitos sonoros. Será preciso repor. A maioria dos estúdios de dublagem tem estoques de música incidental adequada a muitas situações. Quando a música e efeitos sonoros não tiverem sido fornecidos separadamente (algumas produtoras fazem isso) e forem essenciais, pode ser necessário recriá-los, o que costuma ser um processo caro.
Normalmente, minha parte num processo de dublagem termina na tradução. Se o filme for técnico, ou houver qualquer outro motivo para o cliente revisar a terminologia, posso participar novamente para verificar se as modificações exigem ajustes na métrica, e fazê-los. Ou então o estúdio pode cuidar disso durante o processo de dublagem.
Há casos, embora raros, em que o cliente deseja que o tradutor acompanhe pessoalmente os trabalhos de dublagem, por exemplo, para assegurar que modificações feitas na hora não comprometam o conteúdo do filme, ou garantir a pronúncia correta de nomes estrangeiros. De um modo geral, o custo adicional é desnecessário, porém é um serviço que posso oferecer.
Aproveito a ocasião para contar um pouco sobre o processo de dublagem, para quem não conhece.
A tradução vai diretamente para o diretor de dublagem. Ele a verifica e, se necessário (comigo é muito raro), faz alterações no script. Marca os “anéis” [uma reminiscência da dublagem em filme de 16mm - são trechos de até 20 segundos cada], numera-os, e marca o tempo de entrada de cada um para facilitar a localização. Em seguida, faz a escalação do elenco, “quem irá dublar quem”, e programa o horário de cada artista no estúdio.
Para aqueles que imaginam que todos os dubladores trabalham ao mesmo tempo, lado a lado, sentados a uma longa mesa, cada um com o seu microfone, como nas radionovelas de meados do século 20, terei de desmanchar essa imagem. Os dubladores raramente vêem o filme inteiro, exceto quando é apenas um narrador de ponta a ponta. Cada um entra sozinho no estúdio, que é um quartinho pequeno, na penumbra, com um microfone, uma TV, fones de ouvido, e um púlpito onde repousa o script, e dubla todas as suas falas de uma vez. O operador se encarrega de localizar os trechos correspondentes do filme. Cabe ao diretor de dublagem assegurar a continuidade das falas entre os diversos dubladores. Dependendo do estúdio e do diretor de dublagem, ele pode ficar dentro da cabine acústica junto com o dublador, ou fora, junto com o operador. É muito raro, porém não impossível, colocar dois dubladores juntos no estúdio, geralmente em cenas de “bate-boca” ou diálogo muito intenso.
O diretor de dublagem é o responsável pela continuidade das cenas e pela integridade do diálogo. É ele que evita situações como um “Meu nome é Mary.” ser respondido com um “Muito prazer, Meire.”.
Muitos dubladores fazem um trecho (“anel”) em quatro passadas. Na primeira, o dublador ouve a expressão e lê o texto a ser dublado. Na segunda, procura adequar o ritmo em que irá falar. Na terceira ensaia, e na quarta ele grava. Se algo ficar inadequado a qualquer momento, o diretor de dublagem interrompe, e a gravação é refeita. Muitas vezes é possível aproveitar uma parte do que foi gravado, e parte-se de uma pausa imediatamente antes da falha.
Cada voz é gravada num canal de som separado. Esta é a dublagem “seca”, obtida numa câmara acústica isenta de eco. Se for deixada assim, ela soa artificial, porque ninguém vive num lugar como esse. Além disso, as vozes, se houver mais de uma, estarão em volumes desproporcionais à distância que cada personagem estava da câmara. Então é feito o processo de equalização, aplicação de efeitos (por exemplo, num túnel, num auditório com/sem microfone, pelo telefone etc.) e a mixagem de todas essas vozes em um (mono) ou dois (estéreo) canais de áudio. Além disso, é acrescentada a trilha de música e efeitos.
Toda esta explicação foi para mostrar o efeito devastador que uma tradução ruim pode ter numa dublagem. Em primeiro lugar, a métrica é essencial para tornar a dublagem ou o voice-over viáveis. Se a tradução for feita sem o devido cuidado com a métrica, na hora de dublar isso poderá causar problemas.
Veja este exemplo:
Original: You must take customer needs into account as well.
Tradução exata: Você precisa levar as necessidades do cliente em consideração também.
Tradução viável: Deve considerar as necessidades do cliente.
É claro que a viabilidade depende do contexto. Esta solução pressupõe uma frase anterior com o pronome “você”. O objetivo aqui foi mostrar que a tradução exata não caberia.
Num caso desses, se vier uma tradução “inviável” haverá algumas possibilidades. O dublador e o diretor de dublagem poderão tentar consertar a frase para fazer caber. Além de consumir tempo precioso no estúdio, isso implicará em alteração da tradução que pode (ou não) comprometer a mensagem desejada. O dublador pode acelerar a fala para fazer caber, contudo isso prejudicará o sincronismo labial, chamando a atenção do espectador para o fato de o filme ter sido (mal) dublado.
Para evitar estas coisas é que, ao traduzir, me empenho em oferecer um texto viável em termos de dublagem. No caso de vídeos muito técnicos, ou com terminologia crítica, o ideal é que o cliente verifique o script para dublagem, imediatamente após a tradução. Se ele fizer alterações, conviria eu verificar novamente se elas são compatíveis com a métrica, contudo os bons diretores de dublagem conseguem fazer isso sozinhos.
Mas o pior ainda pode estar à espreita. Se devido a um prazo muito curto não houver possibilidade dessa revisão, o vídeo passará por todas as etapas que descrevi, e será entregue pronto. É claro que é possível refazer apenas um trecho, se houver alterações posteriores, mas o custo será consideravelmente maior.
Na dublagem, é importante assegurar a qualidade em cada etapa, pois como eu já disse, o processo é linear. Se algo tiver de ser refeito, será preciso refazer todas as etapas posteriores. E tudo começa com a tradução.
Se um vídeo tiver de ser dublado e contiver “cartazes”, ou seja, telas com títulos, textos, gráficos, diagramas, pode ser conveniente, ou até imprescindível substitui-los. Quando eles são numerosos, e importantes, em muitos casos se tornam o verdadeiro motivo de se optar pela dublagem e não pela legendagem, pois o espectador não terá tempo de vê-los e ler as legendas simultaneamente.
Posso fazer a tradução e a substituição dessas telas, desde que haja apenas a aparição e desaparição de elementos gráficos na tela. Se houver animação, ou seja, movimento ou transformação dos elementos gráficos na tela, convém procurar um estúdio de produção de desenhos animados.
Resumindo, convém o cliente verificar a dublagem em certos pontos de controle, para assegurar a qualidade desejada no trabalho final, sem incorrer em custos de retrabalho desnecessário. Os pontos intermediários ideais para controle são:
1. Após a tradução
2. Após a dublagem e antes da mixagem (dublagem seca)
3. As telas que serão substituídas, se houver, antes da edição do vídeo.
4. O vídeo finalizado, antes de liberar a autoração do DVD, se for o caso.
5. O DVD finalizado, antes de autorizar a eliminação de todos os arquivos de trabalho.
Assim será possível evitar ao máximo o retrabalho desnecessário nas diversas etapas. No caso de vídeos onde for usado o voice-over, híbridos, aplica-se o mesmo processo.
LEGENDAGEM
Neste caso, há uma primeira decisão a tomar, que apresenta duas opções: a) legendas “queimadas” no vídeo; e b) legendas sobrepostas ao vídeo (somente DVD). Convém explicar ambas esclarecendo que meu custo de produção é o mesmo (supondo legendas em um só idioma).
Legendas “queimadas” no vídeo - o resultado é semelhante ao que se obtém na legendagem de vídeos em VHS. É impossível exibir o vídeo sem as legendas, ou substituí-las por outras (por exemplo, outro idioma).
As principais características deste sistema são:
Legendas sobrepostas ao vídeo - o resultado é igual aos DVDs comerciais multilíngües encontrados, por exemplo, em videolocadoras. Um DVD pode conter o mesmo vídeo com até 30 legendas diferentes, selecionáveis uma a uma, ainda com a opção de desligá-las..
As principais características deste sistema são:
Closed captions - Apenas para não deixar passar, closed captions é uma legendagem com o script integral, no mesmo idioma em que se encontra a trilha sonora do vídeo. Seu propósito é atender a necessidades especiais de deficientes auditivos. Existe um esquema especial para sua incorporação num DVD, contudo por uma questão de praticidade de operação, até hoje só me solicitaram closed captions em forma de legendas com o texto integral de um vídeo dublado.
O processo de legendagem também começa pela tradução. Do ponto de vista de equipamento, para o tradutor o processo é o mesmo, porém a técnica é diferente. O objetivo é obter um máximo de conteúdo com um mínimo de texto, de modo que sobre algum tempo após a leitura para o espectador ver melhor as imagens.
Para exemplificar:
Original: In my opinion, there is an extremely remote likelihood...
Tradução exata: Na minha opinião, há uma probabilidade extremamente remota...
Legenda: Acho bem pouco provável...
Quanto às legendas em si, há uma série de regras definidas tanto empírica quanto cientificamente sobre suas dimensões, duração, grafia, convenções e outras características, que fogem ao nosso escopo aqui. Estas regras não são universais, e cada legendador tem as suas. Às vezes elas são limitadas pelo equipamento.
Uma regra praticamente fixa é a de não colocar mais do que duas linhas em cada legenda. O número máximo de caracteres por linha varia de um legendador para outro, e cada um tem o seu padrão.
Quando a legendagem era feita em fita de vídeo, usava-se um gerador de caracteres (GC) e um aparelho chamado Genlock, que sobrepunha as legendas geradas pelo primeiro em todos os quadros do vídeo. Dependendo do modelo do GC, poderia haver um limite fixo absoluto para a quantidade máxima de caracteres por linha. Este sistema ainda continua em uso, apesar de a legendagem em computador ser muito mais comum.
De qualquer modo, quando o próprio tradutor não for legendar, uma informação que ele precisa ter do legendador é esse limite de caracteres por linha. Certamente prevalecerá o critério da legibilidade pelo espectador, porém este limite não poderá ser excedido.
Na legendagem em computador, existe uma quantidade muito grande de programas para a sua execução, e cada um deles utiliza um ou mais formatos de arquivos diferentes. Novamente, se tradução e legendagem forem feitas por pessoas diferentes, convém informar ao tradutor qual será o sistema/software utilizado, para evitar o retrabalho em formatação do texto.
Uma vez feita a tradução para legendas, o passo seguinte é a marcação. Ela consiste em determinar o momento em que cada legenda aparece e desaparece na tela. Isto pode ser feito pelo tradutor ou pelo legendador, se forem pessoas diferentes. Como este trabalho é sempre cobrado, é uma questão de acertar o esquema. De um modo geral, é preferível que o tradutor faça a marcação, pois se houver problemas no resultado final, ele estará capacitado a modificar o texto adequadamente.
Feita a marcação, é hora de fazer a legendagem... ou não. Se as legendas forem queimadas no vídeo, pode-se obter um vídeo inteiro legendado, que depois, se for preciso (como veremos em seguida, em autoração), poderá ser dividido em segmentos. Se as legendas forem ser sobrepostas, há outras considerações a fazer.
Um motivo de se fazer legendas sobrepostas é ter o mesmo vídeo legendado em vários idiomas, selecionáveis um por vez. Neste caso é preciso certo cuidado ao aproveitar um conjunto de legendas traduzidas para reduzir custos.
Se você não sabia, traduzir texto escrito custa menos do que traduzir de vídeo. Sendo assim, se precisar de um DVD multilíngüe, pode ser mais econômico primeiro traduzir e marcar as legendas para um idioma, e depois traduzir essas legendas para os seguintes aproveitando a marcação. Pode ser necessário fazer alguns poucos ajustes na marcação de um idioma para outro, se for entre idiomas da mesma raiz.
Por exemplo, em se tratando de legendagem, um vídeo em inglês pode ser traduzido para o português, e então se faz a marcação. Em seguida, traduz-se as legendas para espanhol, italiano, francês, romeno, e/ou outras línguas latinas, preservando a marcação. Depois disso, bastará fazer a revisão, com pequenos ajustes eventuais na marcação.
O mesmo poderia ser feito para alemão, neerlandês, sueco e/ou norueguês, contudo não é viável aproveitar as legendas para idiomas de famílias diferentes. Por exemplo, num caso de tradução de um vídeo falado em português para inglês e espanhol, convém fazer duas traduções separadas a partir do vídeo original.
AUTORAÇÃO DE DVD
Uma característica do vídeo em fita (tipicamente o nosso conhecido VHS) é a sua linearidade. O normal é exibi-lo do início ao fim. Não existe menu de opções, e o único modo de pular pedaços, ou exibir apenas certos trechos, é zerar o contador no início, e confiar em anotações. O VHS levou muitos anos para passar de contadores cuja numeração variava de um aparelho para outro até usar relógios que indicavam o tempo relativo em horas, minutos e segundos ao longo da fita.
Em vídeos de treinamento, e mesmo antes disso, em filmes de 16 mm, era comum aparecerem de letreiros “Pare a exibição” para se fazer exercícios, atividades, debates etc. Caberia ao instrutor acionar a tecla STOP no momento oportuno, às vezes até PAUSE, se fosse apenas para verificar as respostas dos presentes a uma pergunta.
Um problema dessa linearidade em vídeos institucionais, especialmente de apresentação de produtos, era a impossibilidade de se abrir um leque de opções num dado momento. Então se ele tivesse, por exemplo, uma parte genérica inicial, e depois várias apresentações específicas para diferentes mercados, linhas de produtos, etc., a solução era produzir diversas fitas diferentes, todas com o mesmo começo, e cada uma com um fim (em ambos os sentidos) diferente.
É perfeitamente possível fazer um DVD 100% linear, o custo é até menor, mas deixa-se de aproveitar a sua não linearidade, e a possibilidade de colocar nele vários menus, além dos eventuais para escolha de trilha sonora (no caso de dublagem) e/ou legendas.
O que se chama de autoração de DVD é a montagem de todo um esquema de navegação interativa. Há duas estratégias básicas para a navegação.
A primeira delas é mais simples, e nem chega a ser autoração. Ela utiliza um único vídeo linear, com diversos pontos de entrada, ou capítulos. Sem menu, de qualquer momento da exibição é possível saltar para o ponto seguinte. Com um menu inicial, pode-se começar a exibição a partir de qualquer ponto de entrada selecionado.
Mas o vídeo num único segmento não tem pontos de saída. Explicando melhor, selecionado o ponto de entrada, o vídeo será exibido deste aquele momento até o final, a menos que o operador tecle STOP, MENU, ou próximo capítulo. Qualquer parada terá de ser acionada manualmente.
Já na autoração, passamos a contar com vários recursos. O primeiro passo é desmembrar o vídeo em diversos segmentos autônomos, cuja independência faça algum sentido. Cada opção do menu inicial permite: a) ir para outro menu (com um novo conjunto de opções), ou b) executar uma seqüência pré-estabelecida de segmentos, terminando em outro ou no mesmo menu.
Isto abre um sem-número de possibilidades. O velho “Pare a exibição” dos vídeos de treinamento pode ser substituído por um menu que fará a parada automaticamente, deixando ao apresentador as opções de “prosseguir”, ir para algum menu de opções, ou qualquer outra. O vídeo institucional com o mesmo início e vários finais para públicos distintos pode ser selecionado de início, apresentando sempre o mesmo (um só) vídeo inicial, a opção desejada e, se houver um final comum, ele também poderá ser programado para exibição sem a interferência do operador.
Caso seu vídeo seja linear, ainda que em DVD, provavelmente vindo de uma fita VHS (ou mesmo se ainda estiver em fita), e você queira, ao fazer a versão brasileira dublada ou legendada, criar um esquema interativo, terei prazer em orientá-lo a respeito. A única precaução em autoração de DVDs é não mudar os planos depois de traçados, pois isso aumenta desnecessariamente o custo.
FINALIZAÇÃO DO DVD
Uma vez traduzido, dublado ou legendado, e autorado, seu DVD estará pronto para uso. Se precisar copiá-lo em quantidade, raramente valerá a pena fazer isso sozinho. Há empresas especializadas que oferecem esse serviço com rapidez e qualidade, a um custo vantajoso, incluindo a impressão do rótulo.
CONCLUSÃO
Procurei dar aqui algumas idéias gerais para orientar quem tenha um vídeo empresarial e queira algumas orientações para basear suas decisões de custo/benefício. Certamente simplifiquei muitos aspectos, correndo o risco de cometer alguma imprecisão técnica. Contudo não adiantaria me aprofundar demais, visto que cada caso tem suas peculiaridades. Terei prazer em analisar o seu vídeo e lhe oferecer opções específicas. Esteja à vontade para entrar em contato comigo clicando em E-MAIL no menu à esquerda.